segunda-feira, 6 de maio de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Eu costumava escrever pra expulsar de dentro aquilo que me incomodava. Geralmente funcionava, e como já se tornou quase insuportável conter, eu tento me desfazer de tudo o que anda me incomodando.
Sempre acreditei que escrever era uma forma de organizar os sentimentos. Tentar abrir a gaiola e arrumar os pensamentos em gavetas.
Eu tenho me sentindo presa, sufocada, infeliz. Estou grávida, e por mais que eu esteja feliz por isso, fico infeliz por não estar podendo curtir isso. Por não ter minha casa. Por não estar apaixonada pelo meu namorado. O amo sim, mas a gravidez traz sentimentos e sensações que me fazem não estar no clima pra isso. Que me fazem não querer estar com ninguém. Escolhi a militância por achar que me completaria. E não me completou, pelo contrário. Me sinto forçada, obrigada, compelida a militar. E a verdade é que eu não aguento mais. Não consigo mais. Não rendo mais.Não quero mais.
Como fazer isso sem ser julgada, sem criar uma situação de constrangimento com os companheiros, sendo que eu sei como é quando rompemos com uma determinada organização. Meu problema não é político, não é de desacordo.
Meu problema é pessoal.
E todos acham que problemas pessoais são problemas pequeno-burgueses, afinal de conta,s eu não sou uma trabalhadora formal, explorada, que faz dupla-jornada.
Aliás, eu não sou nada: abandonei minha faculdade perto de concluí-la, não tenho perspectiva pro futuro, não tenho dinheiro no bolso, não tenho nada.
Dependo de uma emprego onde militar é obrigatório. Não aguento mais. Não quero mais.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
A gente às vezes acorda meio partido, meio sem a gente. Parece que deixou uma parte no travesseiro, outro pedaço no colchão e um restinho no pijama. E nosso dia se resume a buscar novamente e recompor esses pedaços que distraidamente deixamos por aí. É como se estranhássemos até mesmo nosso corpo, nossas possibilidades. Se olhar no espelho e não se ver. O clichê serve, mas não é suficiente. Parece que um vulto nos segue, e só ele sabe exatamente onde deixamos nós mesmos. Criamos dispositivos burocráticos em nós mesmos. Nos impedimos de ir adiante: vezes por medo, vezes por coragem.
Não consigo entender essas pessoas que se sentem bem, felizes, que não reclama sequer da formiga no bolo.
Me mata todo dia não definir, não decidir, não saber. Não ter experimentado a vida a ponto de saber o que quero. De achar que quero, e não saber. Dos meus desejos serem fruto do que dizem que é legal, do que definem como correto, do que traçam como real. Minha realidade é mais virtual que um teclado e um monitor. Não existe vida. Não existe ar. Existe caos, existe gás carbônico a me sufocar. E a prolixidade dos meus pensamentos são por conta da teia indefinível de sentimentos, que se cruzam, se encontram, divergem, lutam, matam, morrem. Vontades e desejos que nem eu mesma conheço. Jean Grey. Parece que vou parir, parir outro eu, engolir esse, mastigar, deglutir. Vomitar. Cuspir. Incomoda geográficamente. Espaço inútil que ocupo.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Havia deixado de lado parte importante de mim.
A impossibilidade concreta de escrever, se dava pelo fato de não ter um computador só meu, ou algo que pudesse cumprir este papel.
Acredito que agora as palavras vão tornar-se novamente reais, expressões limitadas do pensamento; mesmo assim conseguem se combinar de forma a tentar sintetizar o que existe na minha cabeça. Irreal, pois não é concreto, mas tão concreto quanto o real. Sentir é real.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Eu em mim.
"Recuso-me. Eu me aprofundei mas não acredito em mim porque meu pensamento é inventado."
Clarice Lispector.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Quando entrava na sua vida sempre tinha um cheiro de cachorro molhado. Os passos longos e demorados pelo corredor escuro e aquele cheiro de cachorro molhado.
Tão característico e revelador quanto seu cigarro filtro amarelo. My smile worthed a-hundred times.
Esse cheiro não era do cachorro da vizinha.
Era da sua vida.
Sua vida vazia e solitária, da qual você me mantinha alheia. Distantes pelo infinito de um olhar.
Hoje confesso que tinha nojo, asco. Que não comia porque o cheiro não me agradava o paladar, e não imporatav quanto de perfume você passasse pra esconder. Disfarça por um tempo, disfarça. Mas o cheiro da sua vida, seu cheiro, seu gosto e os outros sentidos que você me aguçava acabaram tão rápido quanto meu último trago no saguão.
Seu Florbela Espanca tá comigo. Não devolvo porque ela não merece feder.
Tão característico e revelador quanto seu cigarro filtro amarelo. My smile worthed a-hundred times.
Esse cheiro não era do cachorro da vizinha.
Era da sua vida.
Sua vida vazia e solitária, da qual você me mantinha alheia. Distantes pelo infinito de um olhar.
Hoje confesso que tinha nojo, asco. Que não comia porque o cheiro não me agradava o paladar, e não imporatav quanto de perfume você passasse pra esconder. Disfarça por um tempo, disfarça. Mas o cheiro da sua vida, seu cheiro, seu gosto e os outros sentidos que você me aguçava acabaram tão rápido quanto meu último trago no saguão.
Seu Florbela Espanca tá comigo. Não devolvo porque ela não merece feder.
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