terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Álvaro de Campos. Do contramente.

"Na noite terrível, substância natural de todas as noites,
Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites,
Relembro, velando em modorra incômoda,
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.
Relembro, e uma angústia
Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo."


Talvez tenha sido por medo. Ou coragem demais pra ficar quieta, e dizer a coisa errada.
Hoje não relembro mais. Crio futuras lembranças que nunca, jamais irei ter a chance de lembrar.
Penso em todas as tardes que passaremos juntos, que não irão acontecer.
Penso em todos os beijos e toques, que jamais iremos trocar.
Em todas as brigas e reconciliações, que jamais nos pertencerão.
E relembro ainda mais triste todas as coisas que não passaremos, e me levo a imaginar como seria.
E esse futuro do pretérito em que cabe nossa relação platônica se torna lindo, triste e cômico.
Criei falas, personagens, lugares, situações, que jamais acontecerão.
E agora, lendo tudo o que passa pela minha cabeça, soa ridículo.
Ridículo porque acho que emoções são pra serem sentidas, não escritas, descritas.
Quão patético se torna isso tudo.

Um comentário:

Belle disse...

e vc não conseguiu superar ainda né?
Mas eu entendo, é difícil... e como!
Mas sinto que vc tá tentando.
Pelo menos vc parou de falar sem parar nisso. E parou tb de chorar nas frente dos outros.Mas a gente ta sempre se ajudando ne?

Mas essas coisas passam.
ah, se passam.


=***