"Na noite terrível, substância natural de todas as noites,
Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites,
Relembro, velando em modorra incômoda,
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.
Relembro, e uma angústia
Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo."
Talvez tenha sido por medo. Ou coragem demais pra ficar quieta, e dizer a coisa errada.
Hoje não relembro mais. Crio futuras lembranças que nunca, jamais irei ter a chance de lembrar.
Penso em todas as tardes que passaremos juntos, que não irão acontecer.
Penso em todos os beijos e toques, que jamais iremos trocar.
Em todas as brigas e reconciliações, que jamais nos pertencerão.
E relembro ainda mais triste todas as coisas que não passaremos, e me levo a imaginar como seria.
E esse futuro do pretérito em que cabe nossa relação platônica se torna lindo, triste e cômico.
Criei falas, personagens, lugares, situações, que jamais acontecerão.
E agora, lendo tudo o que passa pela minha cabeça, soa ridículo.
Ridículo porque acho que emoções são pra serem sentidas, não escritas, descritas.
Quão patético se torna isso tudo.
Um comentário:
e vc não conseguiu superar ainda né?
Mas eu entendo, é difícil... e como!
Mas sinto que vc tá tentando.
Pelo menos vc parou de falar sem parar nisso. E parou tb de chorar nas frente dos outros.Mas a gente ta sempre se ajudando ne?
Mas essas coisas passam.
ah, se passam.
=***
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